09 Junho
por Frederico Zornig

FREE - Por que geralmente pagamos caro quando o que compramos foi grátis?

Chris Anderson defendeu que o futuro dos negócios deve ser grátis na revista HSM Management de maio-junho 2008. Uma frase em especial me pareceu ser a consolidação da sua teoria: “Todo o conteúdo digital deve ser grátis”.

Um fator importante de mudança econômica nos últimos tempos, é que capital deixou de ser o maior bem do capitalismo. Em um mercado mundial com liquidez excedente, empreendedorismo e ideias ultrapassaram em importância o papel do capital. Neste cenário, as novas ideias terão que ser recompensadas de forma satisfatória ou não existirá incentivo para o crescimento econômico. De maneira simplista, tudo que é hoje produzido nada mais é do que uma ideia mais capital, mão-de-obra e matéria-prima.

Agora, o que muda para conteúdo digital? Absolutamente nada. Bem, críticos poderão argumentar que existe uma pequena diferença. Conteúdo digital não requer matéria-prima. Sem matéria-prima, os custos de reprodução caem. Como disse Chris Anderson: Custos tendem a zero. E se não existe custos como podemos cobrar por isso. Mas esta afirmação é, no mínimo, equivocada.

Estamos nos esquecendo novamente de que a ideia é o que mais tem valor no novo capitalismo digital. Portanto, permitindo acesso totalmente gratuito ao que foi criado por alguém podemos estar criando um modelo onde não existirá incentivo algum para empresas como SAP, por exemplo, inovarem. No modelo atual, a cada cópia de software vendida aceitamos pagar uma margem para o criador da ideia. Este modelo tem funcionado de forma eficiente e aparentemente justa.

O argumento aqui é que cobrando diretamente um preço para um produto ou serviço fica mais fácil a decisão do consumidor se o que está pagando vale o que está recebendo. Quando empresas começam a criar ofertas de produtos ou serviços grátis em troca de pagamentos de outros serviços (uma forma indireta de cobrança) fica mais difícil para consumidores compararem preços e falta de transparência oferece oportunidades de aumentos de preços totais.

Além disso, cobrando preços de forma direta, cria-se um sentimento de justiça e transparência. É difícil aceitar que escritores, músicos, empresas em geral devessem liberar gratuitamente suas propriedades intelectuais em troca de outros pagamentos indiretos que seriam feitos por terceiros desde que obedecendo a determinadas regras. Quem garante que nestes modelos as recompensas serão satisfatórias aos geradores das ideias?

Não vou radicalizar sendo totalmente contrário a um modelo que ofereça algo grátis em troca de outros produtos ou serviços pagos (não importa por quem). Afinal, estratégias de bundling já foram criadas inclusive pela própria empresa de consultoria que atuo. Mas, defendo que esta prática está longe de ser a que melhor interessa a consumidores e empresários. Acredito que um modelo de cobrança direta poderá, no longo prazo, trazer mais benefícios para todos obrigando consumidores a racionalizar suas decisões de compras.




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